Brasileiro usa furadeira para operar jaguares e rinocerontes

Publicado em 16/06/2015 às 00h44

Um médico veterinário de Santos, no litoral de São Paulo, tornou-se referência em tratamento odontológico de animais selvagens no País e tem viajado o mundo para ensinar suas técnicas. O trabalho internacional mais recente foi realizado em abril deste ano na Colômbia, onde o profissional operou um jaguar de mais de 130 kg. Segundo Roberto Fecchio, as infecções na boca e problemas dentários são extremamente comuns em animais, e podem acometer outros órgãos, como coração, fígado e rins.

O especialista já foi convidado a participar de eventos na África do Sul, Chile, Peru e, mais recentemente, da Conferência Internacional sobre Medicina de Animais Selvagens, dentro do Parque Temático Jaime Duque, na Colômbia.

“São pouquíssimos profissionais no mundo que atuam nessa área, então, esses poucos sempre são cogitados para cursos, aulas e palestras. Na Colômbia, aproveitei para fazer o tratamento de canal de um jaguar, como uma aula prática, para compartilhar a técnica e o conhecimento” explica.

O veterinário relata que o procedimento completo no animal levou cerca de quatro horas, desde a captura do jaguar, com sedativo e aplicação de anestesia, até o tratamento em si. Outra parte importante, segundo ele, é garantir a segurança dos profissionais. Por isso, o bicho é amarrado durante o transporte.

 “É preciso uma equipe multidisciplinar para fazer tudo isso. Há profissionais para aplicar a anestesia com dardos, monitorar o animal, colher sangue para exames, realizar ultrassonografia, tratamento dentário, e por aí vai. Na mesa de cirurgia mesmo, demora umas duas horas e meia”, detalha.

Atualmente, Fecchio realiza o atendimento a animais selvagens junto ao Laboratório de Odontologia Comparada (LOC), da Universidade de São Paulo (USP). O espaço é o primeiro centro da América Latina para pesquisa e atendimento avançado na área de odontologia veterinária e cirurgia de face de animais. Um grupo de especialistas, chefiado por ele, denominado Equipe Zoo, também oferece assessoria para 11 zoológicos do País.

 

Novidade
Mesmo com mais de 10 anos de experiência, o veterinário destaca que os trabalhos envolvendo odontologia animal ainda são escassos e a situação complica ainda mais no caso dos selvagens. “Temos pouca literatura sobre isso, então, todas essas palestras e cursos também servem para a publicação de livros e trabalhos científicos sobre o assunto, para ampliar o conhecimento”, reforça.

Além da literatura escassa, os aparelhos utilizados nos processos cirúrgicos são todos importados. Em alguns casos, é preciso adaptar ferramentas do dia a dia, o que torna a situação mais complicada.

“Para tratar o canal de dentes de hipopótamos, rinocerontes e marfins de elefantes, muitas vezes usamos furadeiras e brocas domésticas. Infelizmente, os equipamentos são poucos e o material usado em seres humanos muitas vezes não serve para animais, sejam eles de grande ou pequeno porte”, detalha Fecchio, que viajou em 2011 e 2012 para a África do Sul, onde participou de tratamentos em grandes animais em uma reserva ecológica.

Segundo o veterinário, os animais domésticos também deveriam receber tratamento bucal. “Muitas vezes, o problema está em casa. Muitos cães e gatos possuem problemas dentários e deveriam ser levados a um especialista uma vez por ano”, conclui.

Com informações do G1

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